A preparação da seleção para a
Copa foi um assunto abordado por diversos jornalistas mas ninguém o enfatizou tanto
quanto o “polêmico” blogueiro do portal R7 Cosme Rimoli. Cosme abordou em
vários posts as diferenças da Granja Comary, centro de treinamento localizado
na cidade serrana de Teresópolis e local escolhido pela comissão técnica para a
concentração da seleção brasileira durante a copa em relação aos CT´s onde
estavam concentradas as outras seleções. No dia 03/07 (antes da trágica partida
contra a Alemanha) ele abordou o tema e comparou o número de treinos secretos
que os técnicos argentinos de Chile e Colômbia fizeram e os treinos da seleção
brasileira. Reproduzo aqui um trecho do seu texto: “Como já escrevi quatrocentas e oitenta vezes, não
há a menor possibilidade de fechar os treinamentos na Granja Comary. Os campos
são cercados por condomínios e montanhas. Não há muros. Todos os treinamentos
são acompanhados por torcedores que ficam gritando pelos jogadores. Além de
arquibancada onde ficam cerca de cem convidados, espaço aberto para os
patrocinadores.”
A Rádio Jovem Pan também abordou
as dificuldades da Granja entretanto por outro aspecto, o logístico. A
distância, segundo o fisiologista Turíbio Leite de Barros (que foi
entrevistado durante a copa) da capital até Teresópolis também atrapalhou a
recuperação pós jogo. Comparado com nossos adversários que se concentraram em
grandes centros e após qualquer jogo em pouco tempo já estavam de volta a seus
hotéis fazendo refeições corretas e descansando cedo, a seleção escolheu um Estado
onde não jogo nenhum jogo e após a chegada ao Rio ainda era obrigada a fazer
uma viajem de duas horas de ônibus.
Além de todas as dificuldades da
granja Cosme também cita o “longo e estranho” descanso de três dias sem
atividade dos titulares após cada partida e completou: “apesar de todas as equipes que
disputam o mundial, inclusive as europeias, terem jogadores desgastados, nenhum
delas treinou tão pouco.”
Por fim, reproduzo um trecho da
revista época “Edição especial – O vexame do Mineirão” na qual o Doutor Daniel
Gould da Universidade de Michigan nos Estados Unidos fala sobre a “pane dos
seis minutos”: “Não existem garantias
absolutas contra a hecatombe psicológica coletiva, mas há boas estratégias para
evitar algo dessa magnitude. Os grandes treinadores gastam tempo simulando com
a equipe, durante os treinos, eventos inesperados, como a perda de um jogador
chave ou um placar adverso.”
Não bastasse o problema da
localização e dos poucos treinos como já citados eles ainda foram de má
qualidade. Como mencionou o Dr. Daniel na revista época o jogador Neymar tomou um cartão amarelo no 1º jogo da copa. Se
a seleção tem um esquema tático “frágil” que “gira” em torno de um jogador é
obrigação do treinador ter um plano B desde os treinamentos pós 1º jogo e não
apenas pensá-lo só quando a ausência dele fosse confirmada (como no caso da
contusão contra a Colômbia).
Nenhum comentário:
Postar um comentário