sexta-feira, 18 de julho de 2014

2º Erro – Fechar o Grupo um ano antes da Copa

A vitória na copa das confederações trouxe outra consequência, além da primeira já citada no post anterior. Na “ânsia” de repetir a “Família Scolari” que levou ao penta em 2002, como forma de agradecimento pela vitória e pela tranquilidade trazida para dentro da CBF um ano antes da copa, Felipão praticamente “fechou” o grupo após a conquista.

Um ano pode parecer pouco tempo mas no futebol corresponde a uma eternidade e o momento dos jogadores pode variar demais nesse período. Segue abaixo alguns exemplos de jogadores que sofreram com essas variações. Alguns estavam no auge de suas carreiras em seus clubes em 2013, porém em 2014 não apresentaram o mesmo futebol, outros o contrario e foram esquecidos. De qualquer forma enquanto uns acabaram sofrendo, outros se beneficiaram ou até ficando de fora, mas não por justiça e sim pelo motivo errado:

- Fred: o atacante do Fluminense nunca teve o talento nem a habilidade dos centroavantes que vestiram a camisa da seleção brasileira nas copas das décadas de 80/90/00 (Careca, Romário, Ronaldo) mas em 2013 e durante a copa das confederações foi um jogador eficiente. Infelizmente no segundo semestre do ano passado sofreu com contusões e mal entrou em campo pelo seu clube. Em 2014 novamente fez poucos jogo pelo Flu e sem ritmo de jogo viu sua vaga ser ameaçada pelo jogador Walter (mais conhecido por estar sempre acima do peso do que pelo futebol que pratica).

- Júlio Cesar: goleiro é cargo de confiança! Em 2013 Júlio César alternou entre a titularidade e o banco de reservas no Queens Park Rangers, time intermediário do campeonato inglês e que acabou sendo rebaixado no fim da temporada. No 2º semestre foi para o banco em definitivo e foi “bancado” por Felipão na copa. Apesar de ter lugar garantido achou por bem procurar um novo clube para não ficar parado e assim foi transferido para o futebol do CANADA!

- Bernard: determinante na conquista da Libertadores em 2013 pelo Galo Mineiro o jovem que encantou Felipão durante os treinos da Copa das Confederações e que ganhou o ridículo apelido de “alegria nas pernas” não resistiu à proposta de mais de R$ 1 milhão de salário mensal e se transferiu para o forte futebol da Ucrânia. No Shaktar Donetsk participou de um campeonato de nível baixíssimo e na véspera da Copa já estava mais preocupado com uma possível fuga do país que se encontrava em guerra do que em manter o nível do seu futebol.

- Paulinho: destaque do campeonato paulista de 2013, Paulinho chegou até a ser considerado melhor que Neymar por Tite (em mais uma pérola de algum integrante do time da Zona leste, lembrem-se que um antigo diretor de futebol chegou um dia a Dizer que: “O Gil era mais jogador que o Kaka”
– No momento, o Paulinho é o melhor jogador do Brasil, na frente do Neymar. Pelo desempenho dos dois este ano, se você comparar o potencial dos dois, o Paulinho está jogando mais (http://globoesporte.globo.com/futebol/times/corinthians/noticia/2013/05/tite-poe-paulinho-frente-de-neymar-em-2013-torco-para-que-nao-saia.html)
Após uma boa participação na Copa das Confederações na qual se repetiu as boas atuações que teve pelo seu clube, marcando, chegando bem ao ataque e anotando gols decisivos, o volante foi negociado com o Tottenham e um ano depois, estava na reserva, sem ritmo de jogo e sem confiança alguma, mas nem por isso perdeu sua vaga na seleção.


- Miranda: No fim da temporada 2012/2013 o zagueiro Miranda anotou o gol que deu ao seu clube, o Atlético de Madri, o título da Copa do Rei na Espanha com uma vitória sobre o arquirrival Real Madri. Sempre discreto, Miranda foi peça chave naquele time entretanto foi pouco  lembrado pela mídia na época. Um ano depois foi considerado um dos melhores zagueiros da Europa, fez uma temporada irretocável e ajudou seu clube a chegar a uma final de Champions League e ser Campeão Espanhol. Perdeu a zaga na Copa para Henrique, que atuava em um time intermediário do decadente futebol italiano.

- Pato: No inicio de 2012 Alexandre Pato chegou ao Brasil para jogar em um time da Zona Leste de São Paulo como a grande estrela do futebol Brasileiro. Em sua entrevista de apresentação disse que vinha para brigar por uma vaga na seleção brasileira e que sonhava disputar a copa em seu país. Um ano depois foi trocado com o São Paulo pelo limitado Jadson;

- Lucas: Em 2012 Lucas foi um dos melhores jogadores do futebol brasileiro e considerados por muitos a principal razão para o São Paulo ter vencido a Copa Sul Americana daquele ano e retornado à Libertadores após alguns anos. Como resultado do excelente futebol apresentado foi negociado com o futebol francês na maior transação envolvendo um clube brasileiro na história. Um ano depois amargava a reserva do milionário time do PSG.

Dificilmente a exclusão de um jogador ou a inclusão de outro teriam alterado a colocação do Brasil na copa, porém com critérios mais justos, talvez o resultado daquele jogo pudesse ter sido menos humilhantes.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

1º Erro - Copa das Confederações

No final de 2012 Mano Menezes foi demitido do cargo de técnico da seleção brasileira. Após a perda da final dos jogos olímpicos de Londres para a “tradicional” equipe mexicana, da eliminação da Copa América da

Argentina para a “forte” seleção do Paraguai e da sequencia de resultados ruins em amistosos contra as potencias mundiais (nesse grupo eu incluo apenas seleções que já venceram Copas do Mundo), a recém-empossada diretoria da CBF optou por uma troca no comando da seleção e convidaram ninguém menos que Luis Felipe Scolari para o cargo de treinador e Carlos Alberto Parreira para seu coordenador técnico.

Apesar de um passado recente com poucos trabalhos de sucessos e com passagem por países e clubes de pouca expressão a aposta parecia interessante; dois ex-campeões mundiais, um reconhecido pela habilidade de “fechar e motivar” grupos e outro um estudioso do futebol reconhecido por muitos pelo conhecimento tático.

Apenas seis meses após a dupla assumir o Brasil já sediaria a Copa das Confederações, evento teste para a Copa do Mundo que reuni o país sede da próxima copa, a atual campeã mundial e os países campeões dos torneios continentais (Copa América, Eurocopa e etc).

O torneio curto, de apenas cinco jogos, sagrou o Brasil campeão. Vitória na estreia contra o Japão (3X0), contra o México (2X0) e uma sequencia de resultados que deixou muitos brasileiros com a impressão de que a equipe estava pronta. Ainda na primeira fase 4X2 na Itália, nas semi-finais 2X1 contra o Uruguai e por fim na final e um chocolate na então campeã mundial e Bicampeã europeia Espanha (3X0).

Com cinco vitórias em cinco jogos sendo três contra ex-campeãs mundiais o Brasil havia reencontrado seu melhor futebol e mostrado ao mundo sua força jogando em casa. Infelizmente o tempo e uma analise mais profunda dos nossos adversários mostraria aos mais otimistas que as coisas não eram bem assim.

O México, adversário da 1ª fase estava em situação delicadíssima nas eliminatórias da Concacaf e só conseguiu ir a Copa porque na última rodada a seleção americana venceu o Panamá. O Uruguai, no momento em que a Copa das Confederações era disputada, não estava classificado sequer para a repescagem das eliminatórias sul americanas. Na copa do Mundo Espanha e Itália nem sequer passaram a segunda fase da competição.

O tempo mostrou que a Copa das Confederações serviu apenas para criar a “falsa” impressão de que estávamos prontos para enfrentar qualquer seleção do mundo.


terça-feira, 15 de julho de 2014

O jogo dos 7 erros

A última vez que o post foi atualizado a Copa do Mundo era um assunto pouco debatido. Os estádios já estavam sendo superfaturados, mas os atrasos e os desvios ainda eram pouco comentados pela imprensa. Da última vez que o blog foi atualizado a seleção brasileira ainda era comandada pelo trio Mano Menezes, Andre Sanches e Ricardo Teixeira. Da última vez que o blog foi atualizado as esperanças do Brasil eram depositadas em jovem promessas como Ganso e Neymar (então no Santos) e Pato (então no Milan).

Pois bem, quase três anos se passaram, o comando técnico foi mudado, o Brasil venceu a Copa das Confederações e tomou a maior surra de suas história em plena semi-final de copa do mundo na sua própria casa. Um jogo que foi considerado por muito “um massacre”. Realmente a partida ficara para sempre na memória dos brasileiros, como disse a revista Época em sua reportagem sobre o jogo: em vinte ou trinta anos todos os brasileiros vão se lembrar onde estavam na tarde daquele 08 de julho de 2014. Tive a sorte de ser sorteado pela Fifa para assistir a partida ao vivo (ao azar dependendo do ponto de vista) logo após o jogo eu assisti aos melhores momentos do jogo, li vários artigos em revistas e blogs e assisti diversos programas sobre futebol (popularmente conhecidos como “mesas-redondas”) e hoje posso afirmar que um resultado como esse não pode ser atribuído a um simples motivo.

Assim como a queda de um avião não acontece por um simples erro e sim por uma sucessão de falhas, uma tragédia como essa não ocorreu por um simples motivo. Por isso nos próximos dias estarei postando 7 textos sobre os 7 erros que levaram nossa a tomar 7 gols em um mesmo jogo e quebrar três recordes em uma única partida de copa do mundo.

- É a semi-final de Copa do Mundo com mais gols na história
- Foi a pior derrota de uma seleção anfitriã na Copa, o 7 a 1 dobrou a margem do recorde anterior.
- A seleção alemã marcou quatro gols em 6 minutos, outro recorde para semi-finais.